Cirurgia Torácica

Cirurgia do Tórax

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O QUE É A CIRURGIA TORÁCICA?

Cirurgia torácica é a especialidade que realiza cirurgias e procedimentos na região do tórax. Entre as mais diversas operações, as mais comuns são as pulmonares.

Realizamos estes procedimentos basicamente de duas formas: por toracoscopia e por toracotomia. Seu médico decidirá qual a melhor forma no seu caso.

Toracoscopia: usamos pequenas incisões e, através delas, o cirurgião coloca uma pequena câmera pela qual pode ver o pulmão e a cavidade torácica através de um monitor e, assim, realizar a cirurgia.

Toracotomia: usa-se uma incisão maior. Essa abertura permite ao cirurgião ver diretamente o pulmão.

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EXISTEM OPÇÕES DE TRATAMENTO?

O médico dará o máximo de informações possíveis sobre a sua doença e as melhores formas de tratamento para o seu caso. Explicará porque a cirurgia é a melhor opção e, em conjunto, decidirão a opção que melhor o tratará.

Para saber como a cirurgia pode ajudar, primeiramente deve-se conhecer a anatomia dos seus pulmões. São dois pulmões que ocupam a maior parte do tórax. São divididos em partes chamadas de lobos; três no pulmão direito e dois no pulmão esquerdo. Cada lobo pulmonar é subdivido em segmentos, que podem variar de 2 a 5, dependendo do lobo. O ar entra nos pulmões e lobos pelos brônquios (passagem aérea). Cada lobo contém muitos sacos de ar microscópicos chamados alvéolos.

Na cirurgia, podemos ver e examinar os pulmões e, assim, tratar as doenças pulmonares ou determinar o diagnóstico. Se um tumor é encontrado, a cirurgia pode definir as causas através de uma biópsia (retirar uma amostra) ou, se necessário, removê-lo por inteiro.

O tamanho da lesão determina se é um nódulo ou massa pulmonar.

O nódulo é definido como uma lesão no pulmão menor que três centímetros de diâmetro. A massa é maior que três centímetros. Em ambos temos que realizar uma biópsia (amostra) para determinar se é benigna (sem câncer) ou maligna (câncer). Às vezes, outras regiões podem ser examinadas para saber se a doença acometeu outras estruturas.

A região que fica entre os pulmões é chamada de mediastino e nela existem muitos linfonodos, semelhantes aos que existem na axila e no pescoço. No tórax, este linfonodos são divididos em cadeias ou estações, de 1 a 9. É muito importante saber a doença pulmonar que atingiu estes linfonodos, principalmente se houver a suspeita de câncer.

Cada parte do pulmão tem uma via preferencial de drenagem para determinadas estações linfonodais. O nome técnico da retirada destes linfonodos é linfadenectomia mediastinal, parte complementar da ressecção pulmonar.

Se a massa puder ser removida, avaliamos o tamanho, localização e sua disseminação para decidir quanto do pulmão será removido. A remoção de uma parte ou de todo pulmão é chamada de ressecção. São divididas em:

– Ressecção sublobar: ressecção de uma parte do lobo, em retângulo ou em cunha.
– Segmentectomia: ressecção de um segmento do lobo, de forma anatômica.
– Lobectomia: ressecção de um lobo do pulmão.
– Pneumonectomia: ressecção de um pulmão inteiro.

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SUA AVALIAÇÃO

Para ajudar na avaliação de seus pulmões e no diagnóstico de sua doença, uma variedade de exames e testes podem ser realizados.

Exames de imagem: são fotografias de seus pulmões que podem ajudar a determinar o diagnóstico. No entanto, elas não são capazes de dizer, com certeza, se uma doença é benigna ou maligna. Os exames de imagem incluem: radiografia de tórax (raio x), tomografia computadorizada de tórax, PET-CT, ressonância magnética e outros.

Visualização direta e biópsias: são exames que podem mostrar dentro do pulmão e nas regiões ao redor dele. Também são úteis para realizar as biópsias e, geralmente, são feitos com anestesia local, sedação ou anestesia geral. São eles:
– Broncoscopia: é feita com um tubo fino que é introduzido pelo nariz ou boca para examinar a passagem do ar através dos pulmões (traqueia e brônquios);
– Mediastinoscopia: É uma operação, feita através de um tubo que é introduzido por uma incisão no pescoço para examinar a região próxima aos pulmões;
– Biópsia por agulha: feita pela introdução de uma agulha pela parede torácica ou pela broncoscopia. Permite retirar um fragmento ou líquido para análise.

Você pode precisar fazer outros exames para avaliar seus pulmões:
Espirometria: avalia quanto ar consegue entrar e quanto ar pode sair dos seus pulmões. Também mede como os pulmões expandem ou contraem;
Difusão: avaliação da sua respiração através da passagem dos gases entre o sangue e o pulmão;
Ergoespirometria: avaliação completa do sistema cardiorrespiratório. É feito com um teste de esforço por esteira ou bicicleta, com medidas do consumo de oxigênio por uma máscara;
Oximetria de pulso: mede como o oxigênio passa dos pulmões para o sangue;
Gasometria arterial: mostra quanto oxigênio tem no seu sangue.

Opções de tratamento para o câncer de pulmão
Se o diagnóstico de câncer de pulmão é confirmado ou suspeito, seu médico deve decidir qual a melhor forma de tratamento. As opções dependem da localização e da extensão (estágio) do câncer. O estágio do câncer é baseado no tamanho, tipo de células e extensão para outros órgãos. Nos estágios iniciais, o câncer encontra-se numa pequena região do pulmão. Nos estágios intermediários, ele pode atingir os linfonodos e, nos estágios avançados, acometer outros órgãos do corpo. Depois que o estágio é determinado, o melhor tratamento pode ser definido. Você e seu médico decidirão qual o melhor plano de tratamento no seu caso.

Existem 3 tratamentos disponíveis:
Cirurgia: remove uma parte ou todo pulmão para tentar eliminar o câncer;
Quimioterapia: utiliza medicações específicas para controlar as células malignas;
Radioterapia: a radiação é usada para destruir as células cancerígenas.

Preparo:
– Pergunte ao seu médico sobre todas as possíveis dúvidas durante a consulta;
– Se você fuma, deve parar imediatamente. Quem continua com o cigarro tem maior risco de complicação durante e após o tratamento;
– SEMPRE informe TODAS as medicações que já faz uso (como os medicamentos para pressão, AAS) para saber se deve parar com algum deles;
– Não coma ou beba nada a partir do horário determinado pelo médico;
– Vá para o hospital no horário combinado com todos os exames que você fez;
– O anestesiologista tem uma participação importante no seu tratamento. Converse com ele antes do procedimento, explique seus sintomas, medicações que utiliza, alergias, procedimentos e internações prévias e eventuais complicações que você já teve.

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ANESTESIA

O médico anestesiologista realizará a anestesia geral e peridural, que o deixará dormindo e sem dor durante a cirurgia. Você será colocado em uma posição confortável.

Os pulmões são ventilados de forma independente, um tubo para cada um. Assim, conseguimos retirar o ar do pulmão que será operado, enquanto você respira pelo outro pulmão. Isso é possível pela utilização de uma cânula chamada de duplo lúmen.

A operação será realizada e parte do pulmão poderá ser retirada, assim como os linfonodos também poderão ser removidos.

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PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS – TORACOSCOPIA

– Pequenas incisões serão feitas no lado que será operado;
– O cirurgião colocará um pequeno tubo com uma câmera através de um pequeno corte. A câmera permitirá ver o pulmão e toda a cavidade em um monitor de vídeo. Outros instrumentos cirúrgicos são colocados através de outras incisões. Este tipo de cirurgia é chamada de Cirurgia Torácica Vídeo Assistida (CTVA ou VATS – em inglês);
– Quando o procedimento termina, um ou mais tubos são temporariamente colocados no tórax (entre as costelas) para drenar líquido ou ar. Esses tubos são chamados de DRENOS e conectados a um frasco apropriado. As incisões são fechadas (suturadas).

Toracotomia
– O cirurgião realizará uma incisão do lado que será operado. Será colocado um instrumento (Finochetto) para afastar suas costelas para que o pulmão possa ser exposto;
– Quando o procedimento terminar, um ou mais drenos poderão ser colocados no tórax (entre as costelas) para retirar líquidos ou ar. As costelas, os músculos e a pele serão suturados.

Devemos lembrar que, às vezes, a cirurgia inicia-se por toracoscopia, mas pode ser necessário mudar a tática e mudar a incisão para uma toracotomia. Isso depende do que é encontrado durante o procedimento.