Cirurgia Torácica

Cirurgia Torácica Pediátrica

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Algumas doenças torácicas na infância necessitam de tratamento operatório. O tratamento tem determinados detalhes que diferem das cirurgias no adulto. Por isso, os profissionais devem ser treinados e capacitados para realizar estes procedimentos com qualidade e segurança.

As doenças mais frequentes que vemos nas crianças são: deformidades de parede torácica (pectus excavatum e carinatum), derrame e empiema pleural, pneumonia necrotizante e malformações pulmonares. Também ocorrem os abscessos, bronquiectasias, tumores mediastinais e de parede torácica.

Para cada doença existem peculiaridades, comentadas com mais detalhes na página específica de cada uma.

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O PROCEDIMENTO

A via de acesso, por onde realizamos o procedimento principal, é um fator que interfere na evolução do paciente. Há 20 anos não havia este conceito e praticamente todos os procedimentos eram realizados por toracotomias amplas, com a máxima “grandes cirurgiões, grandes incisões”.

A Cirurgia Torácica Vídeo-Assistida (CTVA) foi descrita em crianças em 1970.

Após 1995, as cirurgias por vídeo evoluíram e atualmente podem ser consideradas como a via preferencial para tratamento das mais diversas doenças. Lembrando que o procedimento principal não é a videotoracoscopia e sim o tratamento da doença em si. Por exemplo a ressecção do pulmão (procedimento principal) pode ser feita por vídeo ou toracotomia (via de acesso).

Com o desenvolvimento de instrumentos menores e a melhoria na tecnologia, os procedimentos por videotoracoscopia são realizados em crianças com mais frequência, segurança e efetividade. Podem ser realizados em pacientes pediátricos de todas as idades. As vantagens incluem melhor controle da dor pós-operatória, menor tempo de dreno de tórax, menor permanência hospitalar, melhor visualização e melhor resultado estético.

Eu considero mais importante a mudança no conceito da cirurgia do que o avanço tecnológico dos sistemas e material que usamos. A CTVA possibilitou avanços e quebra de paradigmas da cirurgia convencional aberta (toracotomia). Mesmo em cirurgias por via de acesso tradicional, podemos aplicar os conceitos da “cirurgia minimamente invasiva”:

1- Preservação da musculatura da parede torácica
2- Incisões menores
3- Preservação da inervação intercostal
4- Manejo adequado da dor
5- Mínimo uso de drenos e cateteres
6- Alimentação, fisioterapia e deambulação precoce
7- Menor tempo de permanência hospitalar

A cirurgia torácica minimamente invasiva não depende somente do médico, precisamos de uma estrutura para tal. Material adequado, equipe multidisciplinar com fisioterapia, enfermagem anestesiologia, terapia intensiva e gestão hospitalar. Todos tem que trabalhar com a mesma filosofia. Com isso, em adultos, as cirurgias abertas tem atualmente a mesma morbidade e mortalidade que as cirurgias vídeo-assistidas, desde que sigam o mesmo conceito. As toracotomias tradicionais (sem preservação muscular) tendem a ter mais dor, maior tempo de internação e maior índice de morbidade.